7 de junho de 2010

PÁTRIA



Já se fez bastante
Um tipo de poema
Com cara de tese
De texto antropológico

Malefício semiótico
Que a língua não cala
Duro enclave
Na mesa dos signos

Debaixo dela um
Cão faminto gane

A pátria rejeita
A intenção de afago
Balança a pança
E despreza o processo civilizatório

Assim
Eu penso
Que as palavras escondem
Que um festim nos assola
Que não faz diferença
Que não houve catequese mas evisceração
Que até os mais espertos deviam ser iguais
Que é foda ser barroco tropical globalizado
Que um coração tresmalhado não acha rebanho
Que a mulata bossa nova caiu no hully gully
Que mélange não implica numa regra universal
Que precisa haver grandeza norma mérito castigo
Que o boi pasta montes capões vegetação rasteira
Que o mugido dele é santo obstinadamente boi
Que nos perdemos entre miséria e mistificação
Que é alegre a gente pobre ao arrepio da lei amontoada
Que o capitão do mato preto forro caça pretos fugidos
Que o índio conta histórias de missionário em perdidas Lisboas
Que dói a imperfeita geometria teatro de sombras rapina carnaval
Que o sangue jorra feito alicerce sinfonia de barbárie e civilização

Manoel Olavo

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