27 de fevereiro de 2018

UM POEMA DE AMOR

São bocas e olhos e auras e gotas
E pernas entrelaçadas

Fluente transbordante
Minha alma brilha
Nesta nova cor que vem da tua

Com rios e lagos e fontes
E tufões adormecidos
Abraços nos sussurram segredos
E o encontro de nós dois
É o encontro de gente
Feita da mesma matéria
Gente que sonha
O mesmo sonho
Todo dia

Eu te beijo e a galáxia anuncia
Nosso amor de tempo e espaço dilatados
Eu te beijo algo se transfigura
E para sempre me desafia

Ao te dizer amor
Te digo vida
E desenho
Tudo o que sei
E desejava
Em cada sílaba
Sonhada

Por isso pergunto:
Por que custou tanto a chegar
Se desde sempre já te conhecia?


Manoel Olavo

30 de janeiro de 2018

AMOR, TUA VOZ CARREGA O SOM DA ETERNIDADE




No mais belo dos dias
Amor, sei que virás
Estrela branca e tátil
Viajante revelada
No rumo do infinito

Opala que se move
Onde nada havia
Chama da noite
Minha pedra, aurora boreal
Onda d´água desintegrando a 
                                    [ terra
Chuva que alaga minha vida
E desintegra os arenitos

Amor, tua imagem vem
Cedo me transfigura
E se distingue aos poucos
Em corpo, voz, semblante, sexo
Em nuances dum eterno amar

Eu te descubro, amor,
Em mim - és minha falta
Meu atol, minha amante
Minha fenda, minha fresta, 
Minha ferida, meu traço

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Amor, tua voz carrega
O som da eternidade

Manoel Olavo


14 de novembro de 2017

MARAVILHAS

Antes de morrer
Rejuvenesça!
Inato, ligeiro
Seja sempre seu
O primeiro sonho
O último grito
O imprevisto fato.
De nós, se esperam
As maravilhas
Um mar de ilhas
Um norte, um sol
Que não se apaga.
Não esta pálida
Lua amarga.

Manoel Olavo

19 de junho de 2017

ILHA

Tivéssemos
Chegado
Cedo à ilha
Que se
Afasta

Veríamos
A face
Da palavra
Na folha
De papel

Lugar onde
Os mitos
Ficam de pé
Sobre um mar
De letras

Manoel Olavo

6 de junho de 2017

MAGNIFICAT



Vinha uma canção
Em meus ouvidos
Quando estavas comigo
E tudo se escutava

Por mais de mil anos
Um canto se preparava
Um toque no silêncio
Um pouso na madrugada

Qualquer lugar é longe
Qualquer lugar é pouco
Enquanto te espero canto
Na eternidade adentro


Manoel Olavo



AS COISAS



As coisas que eu vou dizer
Irão voltar - não importa-
Como um antigo querer
De passagem bate à porta

As coisas ditas por mim
São como espelhos quebráveis
Começos antes do fim
Esboços intermináveis

As coisas que eu vou dizer
Noves fora seu lamento
Me fazem sobreviver
Nesta rajada de vento

As coisas ditas por mim
São altas ilhas remotas
De mares que contravim
Num barco de velhas rotas

As coisas que eu vou dizer
Surgem com força tamanha
Que parece alvorecer
Na escuridão do drama

As coisas ditas por mim
Sumário de língua morta
Silenciaram por fim
Palavras rondando a porta


Manoel Olavo

19 de fevereiro de 2017

VENTO




Como um vento
A roçar de leve
Vem teu nome
Dizer assombros

Como um sinal
Um súbito raiar
De claro-escuro

O espanto de
Ver que lá fora
Já é de manhã

Estive demais
Em tudo, entrei
No coração das coisas

Agora é silêncio
Outono de amor
E espelhos quebrados

O resto é luz, fendas
Cansaço de viver
E uma imensa
Obscuridade
Branca

Manoel Olavo


UM POEMA DE AMOR

São bocas e olhos e auras e gotas E pernas entrelaçadas Fluente transbordante Minha alma brilha Nesta nova cor que vem da tua ...