29 de abril de 2010

HOJE MENOR DO QUE ANTES

Eu te vi partir e acho que era tarde.
Esse tormento contido, essa secura
Esse sorriso falso e desviante
Essa falta de escrúpulos morais.

Nova luta entre razão e desejo.
É preciso encarar, depois perdê-la.
A torneira goteja, sua face
Escorre nos canos do apartamento.

Será todo esse horror libertação?
Penso: por que fomos feitos assim?
Por que desse jeito? Esse desespero,
Esse afã, esse dom de habitar sonhos?

Corpo, alma, luz, sombra e a sensação
De estar dentro de mim à revelia,
Como um pássaro preso na armadilha,
Como um felino que perdeu as garras.

Louco de amor, prisioneiro da lógica
Atado a um mapa de repetições
Não sei porquê insisto em me mostrar:
Estou aqui, hoje menor do que antes.

Manoel Olavo

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