17 de abril de 2010

GAIVOTAS SOBRE O MAR



Os passos vão e vem como gaivotas sobre o mar
A vida passa devagar enquanto a memória vaga.

A mais pura das emoções: amar-te – que foi feito dela?
Que fizemos nós com a ternura que agora é desencanto?

Por onde fomos quando havia abundante luz e o dia era claro?
Não se trata de chorar, contar os erros, é a natureza finita das
                                                                                   [coisas.

As emoções no momento certo, a vida que dispensa imitações
O ritmo dos fatos, corpos e sonhos como gaivotas sobre o mar.

A ferida aberta, a dor de estar aqui e de te amar um dia
Estará em nós como um jardim de cinzas: o baile não pára.

Sequioso de espaço e tempo, eu parto em busca da aurora
De um novo amor, que seja a sombra de uma árvore num deserto
                                                                   [seco e impressentido

Manoel Olavo

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