17 de abril de 2010

SAUDADE

Saudade? De quê?
De alguém, de um dia?
Da emoção, palavra?
Da plenitude
Nunca obtida?

Saudade? De quê?
E o que fazer contigo?
Menino nu
De olhar aflito
No espelho em
Que me parto?

O mar é um
E nele flutuamos

Você a sós
Múltiplo finito
Denso vestido de luz
Bem-vindo à sua pele

Saiba que existe
Um mar lá fora
A água lambe
A areia os seixos
As rocas

O atol das aves
O último mistério

Saudade? De quê?
De mim? De ti?
De ser?

Do que virá
e havia?

Manoel Olavo

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