24 de abril de 2010

TEU OLHAR



Como ter-te? Se prender-te
Impedir teu vôo livre
É ferir-te e não amar-te?
És como vento: tu partes.

Na verdade, acho que danças.
Solta no ar, bailarina
Vais por aqui, por ali
Entre o mar e o espelho d´água.

Não prender teu riso claro
Nem roubar teu sonho leve.
Deixar-te ir simplesmente.
Teu rosto está sempre adiante.

Chegas intensa e irreal
Como uma ninfa, uma ave.
Borboleta no ar, que
Sobrevoa, pousa e parte.

Nua em pelo, tu és linda
Como uma gazela dourada.
A um só tempo, cavaleira
E montaria. Tu és livre.

Teu olhar: um verde mar
Faiscando azuis e cinzas.
Teu olhar meio de lado.
Teu olhar, eternamente.

Manoel Olavo

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