16 de julho de 2011

VENERO-TE A FLOR



Quem te incendiou a carnadura?
Quem te fez vergar antes de possuir-te
E te pôs de lado quando de frente vinhas?
Ao teu encontro eu fui diversas vezes
Em noites de gozar veraz e cego

Pois te nomeei
Minha amante inteira
Ao lume dos meus olhos
És diva perfeita
Que a todas suplanta
Não ouse cantar
Alguma outra voz
Que não seja a tua

Sorvo o néctar que tu jorras
E meu dorso ensopa
Venero-te a flor
Enquanto ela se liquefaz
Em minha boca
Minha musa
De carnadura avantajada
De ancas abissais
E olhos sombrios
Armadilha consentida
À qual me entrego

Eu te amo em trajes de fidalgo
Ao sabor de nosso enlevo
E contigo permaneço
Antes que a voragem
Do tempo célere desfaça
A trama do destino
Que foi nossa

Manoel Olavo

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