25 de março de 2010

PANDORA






Bastou ela chegar
Para ser minha
Suave murmurar
De rios e águas

Sua maciez
Líquida e morna
Vai tragar
A minha alma
Enlevá-la
Arrebatá-la

Na noite desmedida
Entre sombras
Me desfaço

Minha alma irá
Fluir no leito nu
Descer encostas
Encher vales
Fazer brotar um continente
Onde nada havia

Avistá-la
Ó fonte minha
Será também perdê-la

Jorro de
Pérolas aos mortais
Migalhas dum banquete
Sagrado
Manhã cálice portal
Caixa de Pandora

Eu feito água
Ela feito musa
A roer os ossos
Dissolver a carne
E chorar a lenta lágrima

Manoel Olavo

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