13 de março de 2010

ENTRE AGORA, AMIGO

Entre agora
Amigo
A primeira você abandonou
A segunda o traiu
A terceira aquele tiroteio
A quarta, francamente
A quinta um pacto de morte
E lá se foi você
Aos pedaços
Aos frangalhos
Aos milhares

De noite cintilavam
Pirilampos
E você estava só

Sob um signo luminoso
Você cruzou a estrada
Trilhou a planície
Que já não temia mais
- As flechas dardejando sobre sua cabeça -
Trêmulo você se resignava
Empilhava camadas de sol
À meia-luz de uma aurora
Antecipada

Havia sonho
Amigo
Mas era pouco

Pro senso comum
Isso um dia passa

Manoel Olavo

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