31 de julho de 2010

ELA A INTOCADA

Jamais ele tocou
Mas bem conhece
O balcão das cinzas
A voragem das horas
O ouro em pó
Os fenômenos naturais desenfreados
As esculturas imóveis
O prumo que vai e volta
A poeira cobrindo os corpos petrificados

Ameias e colunas guardam a rua
Protegem os passos lentos
Dos arroubos juvenis durante a caminhada
Caem flechas parecendo gotas
A cabeça no cepo
O elmo o carrasco
No entanto
Ele se move

Por trás de tudo
O caminho
(Ritmo único)
Ubíquo signo
Que ele não imaginava
E sequer tocou
Jamais tocou
Mas bem conhece

Logo
Abaixo
Ela pende
E reverbera
Ela: a intocada

Manoel Olavo

2 comentários:

  1. Um poema forte de ambíguos sentidos e grande beleza!

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  2. Bom mesmo é quando se pode dizer com sinceridade: gostei do poema!

    Obrigada,

    Silvia

    ResponderExcluir

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