9 de maio de 2010

POEIRA E ESFINGES

Por ora fica adiada a primavera
Fica suspenso o espetáculo

Não colherá jamais
Indestrutível rosa

Não suportará tanta
Balbúrdia e lágrimas

Que espera você das coisas
Se elas desmancham ao toque das mãos?

Se elas pendem indiferentes
E se quebram como vidro?

É preciso agir de outro jeito
Pensar numa nova ordem

A natureza tece tramas desiguais
E seus olhos vêem cores primárias

A mão do mal pousa do seu lado
Mas você nem ao menos percebe

Como um ser tão imperfeitamente formado
Deseja flutuar por nuvens à deriva?

Ah vida, que aqui desemboca
A sua dor entre coortes

Ah paz, caminho que deságua
A sua febre sem remorso

Seu mapa de ruínas
Seu juízo torto de atos cometidos

Ah você, que só vê
Poeira e esfinges

Qualquer instante de luz
Será inútil e indecifrável

Lúcifer disfarça
Ser o preferido de Deus


Manoel Olavo

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