2 de novembro de 2012

O AMOR EM MEIA-TINTA


Ele tentou
(a paixão quase o cegava)
Aproximar-se dela
E de seus gentis meneios
Ela que era linda
E tão delicadamente ouvia

Apaixonado estava
Cortês e imprudente
Ele agiu
Deixou-se levar
Por louca flama
E logo a conquistou

Fez-se conhecer
Sem nenhum rodeio
E lhe propôs viverem juntos
Na eternidade
E mais:
Jurou poupá-la
Da ambição maldade tédio
Torná-la infensa
Aos interesses banais
Que movem
Homens e vidas

Mas a paixão se foi
Perdeu-se
No apuro dos fatos:
(Aragem decomposta,
Enlevo ou fábula?)

Seguiu cansado e só
No rumo da corrente que não
                                  [conhecia
O amor em meia-tinta:
Engano sutil
De flores despetaladas
Cobrindo a calçada deserta
Que ficou para trás
E passa

Manoel Olavo

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