6 de novembro de 2012

NÃO SE MATE


I

Espere, não quero
Que você se mate

É preciso estar
Entre os viventes

Talvez devesse
Ficar em casa
                                                                                                        
Longe do laço 
Mortal dos afetos

Expandindo
O seu silêncio

Parece pouco, eu sei
(A eternidade que consola)

Um flanco aberto
Na cadeia de contrários

Lá, mais uma vez,
Irão brotar as ânsias

II

O amor vem
Em meadas

Convoca e,
Depois, esmaga

Talvez viva de
Histórias desfeitas

III

Pouco a pouco
Voltará ao mundo

Sublunar, coberto
De escombros

Pouco a pouco
Voltará ao mundo

Feito para resistir
Ou ficar à margem

Questão de tempo
E de vocação caseira

IV

Há uma fome
          (em mim)
E ela prenuncia

Outra forma:
O fora da lei

A fagulha no
Raso do rio

O gozo antes
Do último grito

O vazio antes
De qualquer origem

V

Espere, não se mate
Faz sol em seu poema


Manoel Olavo

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