13 de novembro de 2010

GUARDIÃO

Sou guardião
Dos versos que cintilas.
Recolho-os nas mãos
E no pensamento.

Sou náufrago
Cruzando o caos.
Ulisses sem Ítaca.

E tu, amada
Ao derramar cristais de sonho
És a ilha prometida.

És musa-aedo
Nereida em mar sombrio
Ninfa Epimélide.

Ao Rochedo do Sono
Peço que conceda
Voragem de amor
E vida, embora
A dor e o tempo.

Só há, bem sei, Helena
- És a mais bonita -
E olhos assombrados
Piscam se tu passas.

Quando tudo terminar
Ao fim da Teogonia
Ainda te guardo e velo
No rastro de galáxias extintas.

Manoel Olavo

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