6 de novembro de 2010

FOME

Fome: fome de ver a forma bronzeada
Fruí-la redonda, virginal ou seminua
Na maciez dos altos e baixos exibidos.
Nem fartura nem aridez: eis teu apogeu.

Fome: fome de ver a forma eviscerada
Rasgar o manto que recobre as aparências
Pois o olhar, na avidez das visões extintas,
Quer devorar o cerne-luz da matéria exausta.

Fome: sílfide, vestal ou deusa, és a vinha.
A baga nua guarda o sumo, ateia o fogo.
Teu volume-cor dissipa-se na retina
Desfeito em véus de luz e de prazer suposto.

Fome: a que ousa chegar sem aquiescência.
Dado bruto, febril, de consumo imediato.
Dos fascínios coletivos, o mais premente.
Antiasceta por excelência – ou maldição?

Manoel Olavo

Um comentário:

  1. " A baga nua guarda o sumo" " a que ousa chegar sem aquiescência" que coisa mais linda seu poema Manoel! grande abraço

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