3 de setembro de 2012

É MEIA-NOITE DE UM DIA DE ABRIL



É meia-noite de um dia de abril
E eu estou quase morto

Talvez você possa me ajudar
Se eu lhe disser a verdade

Se entre dentes lhe contar
O mito sentimental que deixei de lado

Contar como é difícil
Apagar miragens

Deter as coisas imaginadas
Comê-las vivas,

Ignorar a sombra
Que encobre a manhã

Amores ternos, encontros trêmulos
Serões, anéis, gemidos

É duro ofício
Achar alguma substância

Tentar ser íntegro, coerente
Mas você não vem, eis a verdade...

Eu quase morto
Arrefeço e então me calo

Opaco como um olho de cadáver
Como um punhal, uma alça de esquife

Tanto pragmatismo fere, desconcerta
Antes havia sonho em mim
Agora, nada

Não foi você
Não foi o amor
Quem me deixou assim foi a vida


Manoel Olavo

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