1 de janeiro de 2011

ARTIFÍCIO



Além
Após passar o dorso
Pela fresta da muralha

Seguir a espiral que espalha
Milhares de trilhas

Após mãos crispadas tatearem
Os ramos de artérias bifurcadas

Após teu passo
Percorrer aléias que tapam
O vazio além do penhasco

O artifício
A queda no abismo

Mas eu estive lá
E vi o dia devastado

Vi o sangue escasso
Num corpo de pó e vidro

Vi a caldeira acesa
A espessura do silêncio
A noite sem cor da lâmina invisível

Como pude não enternecer o coração?
Como pude ignorá-lo?

Beijaste-me e foi pior
Do que haver-te desejado

Cansado
Após passar o dorso
Pela fresta da muralha

Tudo o que vejo é o mar na minha frente

Manoel Olavo

Um comentário:

  1. eu vim, li , vi e senti a beleza escorrendo de teus versos! Feliz Ano Novo

    ResponderExcluir

MARAVILHAS

Antes de morrer Rejuvenesça! Inato, ligeiro Seja sempre seu O primeiro sonho O último grito O imprevisto fato. A capa de cristal Par...