29 de junho de 2016

ESTRANGEIRO

O sol cobriu os edifícios
Do céu caíram cor e cinza
O trânsito afinal andou
Tomaram o rumo de casa
Após anos de peregrinação
Sem pressa, por léguas a fio
Conforme quis a civilização

Eles cruzaram pórticos de vidro
Vestígio de grilhões, caos e cidade
Fria utopia de corpos de acrílico
Em trilhas desiguais proliferadas
Alguns lembraram, tarde demais
Do refúgio oculto onde havia
O estrangeiro à cata da palavra

Refém de sua partitura
O estrangeiro ouvia vozes
Óculos de sol, íris invicta
Som que não podia escutar
Preso no engarrafamento
Matéria ativa que o domina
Apesar da árida ventania

Manoel Olavo

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