27 de outubro de 2013

VERÃO


Durante o verão, que tudo aquecia,
Eu despertei e trouxe até mim
Uma fêmea gentil, nua e macia,
De cuja beleza antes desavim.

A quantas poderei amar? Em cada
Nova mulher, consagra-se o lirismo.
Em todas, sim, a verdadeira amada.
Em todas, sim, a perdição do abismo.

Em todas, sim, um amor infinito.
Transbordante de mim, me ultrapasso.
Sou feliz a cada sim, a cada grito
De prazer da mulher que satisfaço.

Com elas, sou infinito. Sou fogo
De amor, chicote de tesão talhando
Chaga. De tanto amar, invento o jogo
De conquistar pra não morrer amando.

Meu corpo é a dissipação do uso.
Esta fome de amor a todo instante
Será fatal? Não, eu louvo este abuso
Enquanto morro morno e triunfante.


Manoel Olavo

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