19 de maio de 2013

FÁBULA


Enquanto existir a falha
Que se transforme em fábula

Enquanto existir a trilha
Que se desenhe um mapa

Enquanto vier o emissário
Haja rumor nas coisas despertadas

Rumor das coisas, todas elas
Sussurrando entre fachadas

Chão da ilha cheio de ossadas
Som de palavra inconfessada

Um elo oculto une os elementos
Arruma-os em torno da armada

A memória em pé, a glória amputada
Desconhecida ilha, espuma, vaga

Navegar no curso que segue
O farol apagado na margem oposta

Gelado mar parte a galope
Na crina dos reflexos de prata

A mitologia dos sinais, o cetro
A sina, a nau que se destaca

Nas sendas do território
O mesmo mar liberta e mata

Transitam matéria e tempo
No cais lotado de palavras

Fala-me do mar, do rigor da fala
Evocada, dá-me um pouco de ar

Habita a palavra reduzida, densa
Face contra face, lata torcendo lata

A chama, o ar, o ritmo sem fala
O nome sórdido, o grito dentro d´água

A palavra advinda, contradita
Talhada à faca até ser nada

Além daqui é o risco que separa
Édipo da Esfinge, ou de Jocasta

Manoel Olavo

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