16 de fevereiro de 2013

VERSO OU REVERSO


Verso ou reverso              Verso ou reverso
Tudo é segredo                Tudo é espelho

Na outra margem              No lado avesso
Arte é miragem                 Arte é endereço


Manoel Olavo

12 de fevereiro de 2013

O CÍRCULO VAZIO



I

Que gesto garante
A sobrevivência
Do mito?

Buscar
Entre gente núbil
O contorno (inútil)
Do ente cobiçado?

O círculo vazio
Do amor
Feito ausência?

Ausência
Cujo nome
É medo?

Em tudo
A sede de contato
Um exílio

Em tudo
O medo de morrer

II

Antes ceder
A vez
Ao belo
         
Conter
A solidão
Que dói
No ventre

A alma
Que se tranca
Na sala
Escancarada

III

De noite
Um grupo
De palavras
Não se rende

Estrada
Régia de
Antigos viajantes

Eu lhes peço calma
Enquanto traço o
Círculo vazio

A forma vazia
Do ente traduzido

A forma oblíqua
Do ente enunciado

A forma fugaz
De algo que
Não
Basta

Manoel Olavo

10 de fevereiro de 2013

CADA VERSO



Escrevo cada verso

Certo do que desejo.

O mesmo verso vai

E volta, quase nunca

O mesmo, raramente

O primeiro. Plantio,

Colheita, nada disso

Abrevia o processo.

(Despojo que não morre)

Recomeço. Um sentido

Diverso leva o verso
              
Na mão que o escreve.


Manoel Olavo

3 de fevereiro de 2013

RAPAZ



Foi-se o tempo das histórias, rapaz,
Das longas conversas na mesa de bar
Da esperança de ser o que não é

Se pelo menos, rapaz,
Houvesse alguém para conversar

Todos, porém, já foram embora
Ou parecem terrivelmente ocupados

À esta altura do campeonato, rapaz,
Nem a si mesmo este seu riso convence


Manoel Olavo

16 de janeiro de 2013

POR DO SOL




Num salto mortal

Luz dourada

Entre os edifícios

Na cidade feita

De metal e vidro

Meu corpo em cacos

Cai sobre a calçada

BLAM!

Mas ninguém se toca


Manoel Olavo

16 de dezembro de 2012

A VIDA INTEIRA




                                  “Omnes feriunt. Ultima necat”.


A vida inteira
Cercado pela morte
Ofuscado eu via

Águas águas
Aves mortas
Sinais esparsos

A vida inteira
Cercado pela morte
Eu evitei
Tamanha altura

Amar-te e morrer
É o que importa
Poder olhar-te

São anjos?
Legiões?

Não. São pássaros
Batendo as asas
No último suspiro


Manoel Olavo

14 de dezembro de 2012

NO DESESPERO


No desespero
Não sei se ouso
Não sei se uso
Não sei se sonho

No desespero
Não sei se tento
Não sei se dentro
Não sei se fora

No desespero
Não sei se rondo
Não sei se rumo
Não sei se bossa

No desespero
Não sei se espelho
Não sei se inteiro
Não sei se agora


Manoel Olavo

VENTO ELÍSIO

Lento e minucioso meu sopro caminha Por seu corpo nu pele branca à mostra. Eu, Elísio, vento soprando na fresta Inspeciono cada ponto oculto...