11 de setembro de 2015

MANHÃ DILACERADA


Aprende-se bastante vendo uma manhã dilacerada
Cortada em partes desiguais, a teus pés caída
Contei centenas de pedaços diminutos

Triste, doloroso espetáculo

Melhor ficar para sempre
Perdida entre os reinóis
Esta lembrança

Manoel Olavo

10 de setembro de 2015

NO MORE BLUES




Exausto, eu volto ao banal
Ao encargo das palavras
Ao manancial de coisas mal
                        [resolvidas
No mar azul em que me afundo

É preciso viver a vida
(isto é, o pouco que me resta)
Desfrutá-la como
Gente equilibrada

Este sofrimento banal
Este incêndio de gestos
                    [e passos

Não se iluda: esvaziar-se
É pior do que perverter-se

Quem dera
Eu te amasse com ardor
Guiasse a tua alma
Sem nenhum mistério

Quem dera afundássemos
Os dois juntos, embaralhados,
Num mar turquesa,
Não mais azul
No
        more
                 blues


Manoel Olavo

30 de julho de 2015

ESCUTA

Ao teu redor
Eu venho voando
Como um pássaro
Em torno da lira
Como um vento
Que sopra à ilharga

Beleza demais
Da tua verde luz
Do teu verbo raro
Do beijo com sabor
De mares consagrados

Escuta:
Não há mistério algum
Há o segredo de te amar
E adormecer calado...

Manoel Olavo

24 de julho de 2015

POMBO


O pombo
voa na
chuva fria

Sua asa toca a
janela de vidro
faz um ruído

vivo, o pombo
me convoca
à chuva fria

mito todo
poderoso, ave
a meu dispor

absorto nas
penas de um
único poema


Manoel Olavo

19 de novembro de 2014

ENFIM SÓS

Ela virá
Iluminando a madrugada

Aurora boreal
Mar de quilobytes

Ela virá
Jamais ambígua

Muitas virão
Cheias de si
Porém etéreas

Ela virá
A cada instante prometida

Juntos nós caminharemos
Na infohighway


Manoel Olavo

16 de novembro de 2014

PANORAMA DO MAR



A nau -
Debaixo dela
Um mar de
Rochedos e rotas

Ondas
Do mar:
Um cristal
Que se rasga

A mão
Inclinada
Fende a
Superfície

Sulco
De ar
Separando
As águas

O mar
É isso:
Um cavo grito
Dizendo volta

Plantar em ti,
Bússola frágil,
O tempo, a morte,
A face do possível.


Manoel Olavo

24 de setembro de 2014

ASSIM SOMOS NÓS

A linha
Indivisível opera
Entre a decisão do nome
E a noite escura lá fora

Prepara frases
Reúne fragmentos
Salva palavras caídas
No precipício

Tesouro imperfeito:
Meu esforço é a
Sua lenta espera

Atenta ela vem
E se apodera
De quem a invoca

A musa em milhões de sóis
                            [imaginada

Assim somos nós
Filhos do mar
Da água e do sal
Presos num deserto
Em busca de poesia

Comensais da palavra
Buscando a loucura
Das sensações


Manoel Olavo

VENTO ELÍSIO

Lento e minucioso meu sopro caminha Por seu corpo nu pele branca à mostra. Eu, Elísio, vento soprando na fresta Inspeciono cada ponto oculto...