7 de maio de 2012

RITA

Rita

Eu te amei

Como um adolescente

Tumultuado consegue amar

Mas a sua força

Parece interminável


Manoel Olavo

PAULA



Paula

Que encontrei no

Shopping Center

Descendo a escada

Parecia quase bela

Um passo a mais

E seria linda

Mas parou num

Ponto indefinido

Entre a feiúra e a

Angústia disfarçada

- Como olhos verdes enviesados

Podiam ser tão feios?


Manoel Olavo

ROSANA

Rosana

Pra namorada você não serve

Pálida demais

Um sopro de ar gela suas veias

Eu desço intrigado

Ao porão de sua alma

E tudo o que eu encontro

É você pensando em mim


Manoel Olavo

6 de maio de 2012

ELIZÂNGELA



Elizângela

Amava Rilke e Maiakóvski

Lia obstinadamente

Explodia a menor contrariedade

Muito séria e dedicada

Tinha medo do que

Os homens podiam lhe fazer


Manoel Olavo

NORMA



Norma me falou que viria às sete

Era incapaz de um sorriso óbvio

Beleza louçã

Corpo de marfim na beira da calçada

Beijava confortavelmente

Sempre às voltas com uma

Interminável trança


Manoel Olavo

AUSÊNCIA

Um claro sinal
Me dá a notícia
De que voltaste
Às alamedas costumeiras
Aonde ias passear

Tua dócil figura
Tão semelhante e tão minha
Perdidamente minha
Eu vi

Pelas ruas
Em que andei contigo
Os caminhos se abrem
E vão ao limo

Atônito
Te vejo dançar
À minha volta

O que é nosso
Cintila
Acontece
Outra vez

Em ti
Permanece
Em mim
Resiste

Vislumbre
Da tarde perdida
Que me revigora
E vai-se embora
Enquanto é tarde


Manoel Olavo

DOSTOIÉVSKI



Eu dormi num catre

Senti frio

Fui dilacerado por dilemas

                         [sobre o bem e o mal

Enlouqueci

Vi a face de Deus

Mesmo assim

Não sou um personagem de Dostoiévski


Manoel Olavo

VENTO ELÍSIO

Lento e minucioso meu sopro caminha Por seu corpo nu pele branca à mostra. Eu, Elísio, vento soprando na fresta Inspeciono cada ponto oculto...