6 de maio de 2012
ELIZÂNGELA
Elizângela
Amava Rilke e Maiakóvski
Lia obstinadamente
Explodia a menor contrariedade
Muito séria e dedicada
Tinha medo do que
Os homens podiam lhe fazer
Manoel Olavo
NORMA
Norma me falou que viria às sete
Era incapaz de um sorriso óbvio
Beleza louçã
Corpo de marfim na beira da calçada
Beijava confortavelmente
Sempre às voltas com uma
Interminável trança
Manoel Olavo
AUSÊNCIA
Um claro sinal
Me dá a notícia
De que voltaste
Às alamedas costumeiras
Aonde ias passear
Tua dócil figura
Tão semelhante e tão minha
Perdidamente minha
Eu vi
Pelas ruas
Em que andei contigo
Os caminhos se abrem
E vão ao limo
Atônito
Te vejo dançar
À minha volta
O que é nosso
Cintila
Acontece
Outra vez
Em ti
Permanece
Em mim
Resiste
Vislumbre
Da tarde perdida
Que me revigora
E vai-se embora
Enquanto é tarde
Manoel Olavo
Me dá a notícia
De que voltaste
Às alamedas costumeiras
Aonde ias passear
Tua dócil figura
Tão semelhante e tão minha
Perdidamente minha
Eu vi
Pelas ruas
Em que andei contigo
Os caminhos se abrem
E vão ao limo
Atônito
Te vejo dançar
À minha volta
O que é nosso
Cintila
Acontece
Outra vez
Em ti
Permanece
Em mim
Resiste
Vislumbre
Da tarde perdida
Que me revigora
E vai-se embora
Enquanto é tarde
Manoel Olavo
DOSTOIÉVSKI
Eu dormi num catre
Senti frio
Fui dilacerado por dilemas
[sobre o bem e o mal
Enlouqueci
Vi a face de Deus
Mesmo assim
Não sou um personagem de Dostoiévski
Manoel Olavo
29 de abril de 2012
ELA A INTOCADA
Jamais ele tocou
Mas bem conhece
O balcão das cinzas
A voragem das horas
O ouro em pó
Os fenômenos naturais desenfreados
As esculturas imóveis
O prumo que vai e volta
A poeira cobrindo os corpos petrificados
Ameias e colunas guardam a rua
Protegem os passos lentos
De arroubos juvenis durante a caminhada
Caem flechas parecendo gotas
A cabeça no cepo
O elmo o carrasco
No entanto
Ele se move
Por trás de tudo
O caminho
(Ritmo único)
Ubíquo signo
Que ele não imaginava
E sequer tocou
Jamais tocou
Mas bem conhece
Logo
Abaixo
Ela pende
E reverbera
Ela: a intocada
Manoel Olavo
Mas bem conhece
O balcão das cinzas
A voragem das horas
O ouro em pó
Os fenômenos naturais desenfreados
As esculturas imóveis
O prumo que vai e volta
A poeira cobrindo os corpos petrificados
Ameias e colunas guardam a rua
Protegem os passos lentos
De arroubos juvenis durante a caminhada
Caem flechas parecendo gotas
A cabeça no cepo
O elmo o carrasco
No entanto
Ele se move
Por trás de tudo
O caminho
(Ritmo único)
Ubíquo signo
Que ele não imaginava
E sequer tocou
Jamais tocou
Mas bem conhece
Logo
Abaixo
Ela pende
E reverbera
Ela: a intocada
Manoel Olavo
27 de abril de 2012
TODO ESSE SILÊNCIO
Todo esse silêncio guardado em
mim
Borbulha sob a crosta e, dentro,
esmaga
Cada ponto sólido da rocha.
Todo esse silêncio guardado em
mim
Agita-se e revira minha alma.
Todo esse silêncio solapa a calma
Aparente do quartzo que desmancha
No magma. Fornalha de sol, muda
A ordem natural com sua obra.
Pedra que desaba e sangra na boca.
A ordem natural com sua obra.
Pedra que desaba e sangra na boca.
Fogo que lambe e prefigura a lava.
Palavra conhecendo a erupção.
Palavra conhecendo a erupção.
Manoel Olavo
22 de abril de 2012
FLOR
Meu encoberto jardim
Minha paixão meu ardil
Meu remanso de noites ocultas?
Não vi que estavas do meu lado
Até teu nome chegar pelas raízes
E florescer em mim
Como flor encravada na pedra.
Amor, amor
Eu te descubro
Farta planta cor de verde
E busco teus indícios
Na ramagem.
Te sigo como quem
Caminha nas montanhas
Atrás da improvável
Flor de carne
De pétalas douradas.
Visão que paralisa
Meu olhar de explorador
Cansado no outono de uma vida
[sem amores
Que desconhece
Tua beleza cor de flora.
Amor, eu te surpreendo pênsil
Acima de todas
Rainha sem igual
Entre as flores fêmeas.
Manoel Olavo
Visão que paralisa
Meu olhar de explorador
Cansado no outono de uma vida
[sem amores
Que desconhece
Tua beleza cor de flora.
Amor, eu te surpreendo pênsil
Acima de todas
Rainha sem igual
Entre as flores fêmeas.
Manoel Olavo
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