16 de setembro de 2011

SILÊNCIO


Não há mapa. No entanto, em tudo
Estava a procura de um lar,
A lembrança da primeira casa.

Apolo em seu carro
Queria a vertigem do ser, o céu de asa
Flamejante, o sol, a porta sem aldrava.

Sonhava união mas nada veio.
Luz excessiva na manhã.
Voo cego. Cristal partido.

Ouça-me: se existe um lar
Ele não está nas coisas.
Impossível romper o véu
Que separa os seres.

Não é conceito
Nem condenação:
É apenas silêncio.

Manoel Olavo

14 de setembro de 2011

OUTONO

São caminhos possíveis
Da folha solta no vento

São desfechos possíveis
Da palavra no silêncio

A folha toca a densidade
Da palavra: pluma na boca

Sua nudez, sua falta,
Seu véu de intimidade

Outono perene de quem,
Em silêncio, desaparece

Manoel Olavo

13 de setembro de 2011

PÁSSAROS TELEPÁTICOS

Deixar a casa
Bem arrumada

Levar o carro
Pelo chão dos mortos

Sobre o vão central da ponte
O susto de rever
Pássaros telepáticos
Dizendo segredos

O céu é um
Vórtice partido

Voar no risco cortado
No mar azul do céu

Toda plumagem
É aparente

Há paz entre os viventes
Nos portais e jardins de Osteon

O ser alado
Se desfaz
Na linha
Do horizonte


Manoel Olavo

ESPAÇO

E no meio desse caos, dessa ventania, ainda havia espaço para a ternura e o silêncio de uma solidão desenterrada...

Manoel Olavo

10 de setembro de 2011

UM POEMA BREVE


Um poema breve
Um lema

Uma afronta
À calma da palavra

Tua mão pequena
Puxa a ponta da toalha
E derruba a mesa

Você grita: chega!
- A sobrancelha levantada

Manoel Olavo

4 de setembro de 2011

AMANHECER


Olhei a praça
Quando a luz
Descortinava
Uma manhã
Clara e aturdida

Pude nascer
Junto do vento
Que em tudo
Soprava morno

Vi a paisagem
Que acordava
Viva e sonora

Cães passeando
Com seus donos
Ao raiar do dia

Meu coração
Flagrou a luz
E se sentiu
Em muitos

Estava dentro
E estava fora
Da manhã de sol
Que ali nascia

Manoel Olavo

2 de setembro de 2011

INVENTO PRA VOCÊ



Invento pra você uma ternura
                           [escondida
Feita de poesia e fragmentos

Deixo a ternura derramada
Pra quem desfruta mel e pranto

Pra você, amada, dou-lhe
Água, grão e sonho

Dou-lhe riso e limo
E vermes arejando a terra

Mas com você, amada
Porque seus olhos são fêmeos

A ternura se recolhe
Às conjugações do medo

E, assim inocentes
Nós dois caminhamos

Entre mortos, vivos
E desaparecidos

No cara a cara
De um duplo abismo

Juntando os cacos
E as nossas vidas

Manoel Olavo

VENTO ELÍSIO

Lento e minucioso meu sopro caminha Por seu corpo nu pele branca à mostra. Eu, Elísio, vento soprando na fresta Inspeciono cada ponto oculto...