2 de setembro de 2011
POEMA VERMELHO
sangue da fruta vermelha
rubro canto de guerra
lábio coração amora
Carmen carmim boca de cena
dressed to kill rubi hemorragia
paixão falésia Roma extinta
na rubra cor da carne e ira
Manoel Olavo
31 de agosto de 2011
POEMA AZUL
Eu quero um poema azul
Azul matizes do céu
Azul das cores do mar
Azul da íris de alguns
Azul poeira estelar
Azul pincel de Monet
Eu quero um poema azul
Como a tinta na caneta
Que escreve um azul-poema
Existe poesia em mim
Como no primeiro dia:
Azul, azul, azul, azul...?
Serei cantor das antigas?
Serei DJ com bluetooth?
Serei moderno pintor
Do azul que vem de você?
Manoel Olavo
Manoel Olavo
25 de agosto de 2011
HOJE PENSEI EM TI
Hoje pensei em ti
E senti a tua falta
Contigo
A palavra
Goteja sangue
E a dor é o
Mergulho das águas
Manoel Olavo
POENTE
Deus se escondeu num cenário de vidro
E vi que as coisas de mim se despediam
Pois tudo é mortal, o passado tem a sua hora.
Assim perdi a inocência.
Levo comigo, ao tribunal,
O inferno dos atos repetidos.
Esvaziado e livre de mistérios
Meu olhar finalmente se interroga
Mas, nascituro, pouco vê.
Deus se escondeu de mim
Apesar do esforço dispensado
E o mundo não se transformou
Salvo essa vontade de esquecer,
De renunciar, de explodir na rua,
Dor da minha alma sem sextante.
Manoel Olavo
24 de agosto de 2011
TEMPORAL
Nesse temporal
Teu nome é diagrama.
É um pó de letras
Na inundação.
Eu não vou dizê-lo.
Não quero trazer
Teu nome secreto
De volta entre os escombros.
Mas são partículas
Rimas sílabas fonemas
Cercando o cais destroçado
Num naufrágio de avessos.
A água (se um dia evaporar-se)
Deixará teu nome mineral
Em insolentes camadas;
Finalmente, como pedra.
Manoel Olavo
22 de agosto de 2011
A CADA HORA
A cada hora
Um significado
Em cada dia
O dia anterior
A cada minuto
O mal rebenta
E essa dor
Ausente
No meu
Corpo
Grita
Manoel Olavo
20 de agosto de 2011
VIGÍLIA
A duras penas.
Bem além, o ponto de chegada,
A cada passo dado,
Mais longe ficava.
(A proximidade afasta
A hora prometida).
A um possível encontro seu,
Entretanto,
Uma íntima esperança florescia.
Manoel Olavo
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