Escuta. Deixa eu te dizer mais claramente. É verdade que te amo. Que penso em você todo o tempo. Que antes de você chegar, eu estava aflito, o mundo exibia o medo irreal dos pesadelos, daqueles em que a gente não consegue acordar, porque você não vinha. Você me vê como um farol ao longe, a luz que vem do teu olhar não me revela, me reúne. Mas talvez não seja isso. Talvez você não tenha vindo. Talvez eu te fantasie, te invente, e você pareça ser assim só nos meus sonhos. Eu te procurava e, por não te achar, acabei te inventando. Eu posso agir assim, sou um amador na rota dos amores. Talvez você seja banal, ressentida, igual às outras, mas eu não vejo assim, ah, meu amor, não me deixe ver assim, eu não posso, não quero ver o que meus medos insinuam, prefiro me atirar sobre teu corpo e mergulhar no mar azul e colossal que cerca nossos sonhos.
Manoel Olavo
27 de maio de 2010
9 de maio de 2010
POEIRA E ESFINGES
Por ora fica adiada a primavera
Fica suspenso o espetáculo
Não colherá jamais
Indestrutível rosa
Não suportará tanta
Balbúrdia e lágrimas
Que espera você das coisas
Se elas desmancham ao toque das mãos?
Se elas pendem indiferentes
E se quebram como vidro?
É preciso agir de outro jeito
Pensar numa nova ordem
A natureza tece tramas desiguais
E seus olhos vêem cores primárias
A mão do mal pousa do seu lado
Mas você nem ao menos percebe
Como um ser tão imperfeitamente formado
Deseja flutuar por nuvens à deriva?
Ah vida, que aqui desemboca
A sua dor entre coortes
Ah paz, caminho que deságua
A sua febre sem remorso
Seu mapa de ruínas
Seu juízo torto de atos cometidos
Ah você, que só vê
Poeira e esfinges
Qualquer instante de luz
Será inútil e indecifrável
Lúcifer disfarça
Ser o preferido de Deus
Manoel Olavo
Fica suspenso o espetáculo
Não colherá jamais
Indestrutível rosa
Não suportará tanta
Balbúrdia e lágrimas
Que espera você das coisas
Se elas desmancham ao toque das mãos?
Se elas pendem indiferentes
E se quebram como vidro?
É preciso agir de outro jeito
Pensar numa nova ordem
A natureza tece tramas desiguais
E seus olhos vêem cores primárias
A mão do mal pousa do seu lado
Mas você nem ao menos percebe
Como um ser tão imperfeitamente formado
Deseja flutuar por nuvens à deriva?
Ah vida, que aqui desemboca
A sua dor entre coortes
Ah paz, caminho que deságua
A sua febre sem remorso
Seu mapa de ruínas
Seu juízo torto de atos cometidos
Ah você, que só vê
Poeira e esfinges
Qualquer instante de luz
Será inútil e indecifrável
Lúcifer disfarça
Ser o preferido de Deus
Manoel Olavo
A POESIA VEM

O desejo de amar em nós se esconde
E assume outras formas: fome, ódio,
Males, vícios, vontade de voar
Ou de ser ave. Dirá você:
A vida é breve e nada sabemos
Dos mistérios da alma, da natureza corporal
(a matéria tensa existe algum tempo
em alternância de sono e de vigília).
De nós irão restar palavras e edifícios
Pois tudo se desfaz, se reparte e morre,
Na escala infinita da qual você faz parte.
A poesia vem, no fim das contas,
Buscar azuis nas noites sem saída.
Manoel Olavo
A LINDA MULHER
A linda mulher
Percorre a aléia
Crivada de pedras
Em seu olhar
Ofício de lava
Fastio sensual
A mais bela
Figura viva
Ri-se ao voar
Não me iluda
Ó tela de sombras
É hora de acabar
De buscar aquela
Que ainda dança quando
Todos vão sonhar
Arranchada na aldeia
Cercada de árvores
A morte vencerá
Nada dirá
Despida e muda
Num mar de luz gelada
Magia de avistar
E beijar o selo de
Cetim em sua nuca
Manoel Olavo
Percorre a aléia
Crivada de pedras
Em seu olhar
Ofício de lava
Fastio sensual
A mais bela
Figura viva
Ri-se ao voar
Não me iluda
Ó tela de sombras
É hora de acabar
De buscar aquela
Que ainda dança quando
Todos vão sonhar
Arranchada na aldeia
Cercada de árvores
A morte vencerá
Nada dirá
Despida e muda
Num mar de luz gelada
Magia de avistar
E beijar o selo de
Cetim em sua nuca
Manoel Olavo
2 de maio de 2010
JANELA DO AR
29 de abril de 2010
HOJE MENOR DO QUE ANTES
Eu te vi partir e acho que era tarde.
Esse tormento contido, essa secura
Esse sorriso falso e desviante
Essa falta de escrúpulos morais.
Nova luta entre razão e desejo.
É preciso encarar, depois perdê-la.
A torneira goteja, sua face
Escorre nos canos do apartamento.
Será todo esse horror libertação?
Penso: por que fomos feitos assim?
Por que desse jeito? Esse desespero,
Esse afã, esse dom de habitar sonhos?
Corpo, alma, luz, sombra e a sensação
De estar dentro de mim à revelia,
Como um pássaro preso na armadilha,
Como um felino que perdeu as garras.
Louco de amor, prisioneiro da lógica
Atado a um mapa de repetições
Não sei porquê insisto em me mostrar:
Estou aqui, hoje menor do que antes.
Manoel Olavo
Esse tormento contido, essa secura
Esse sorriso falso e desviante
Essa falta de escrúpulos morais.
Nova luta entre razão e desejo.
É preciso encarar, depois perdê-la.
A torneira goteja, sua face
Escorre nos canos do apartamento.
Será todo esse horror libertação?
Penso: por que fomos feitos assim?
Por que desse jeito? Esse desespero,
Esse afã, esse dom de habitar sonhos?
Corpo, alma, luz, sombra e a sensação
De estar dentro de mim à revelia,
Como um pássaro preso na armadilha,
Como um felino que perdeu as garras.
Louco de amor, prisioneiro da lógica
Atado a um mapa de repetições
Não sei porquê insisto em me mostrar:
Estou aqui, hoje menor do que antes.
Manoel Olavo
27 de abril de 2010
SONHO
Surreal, subtraída
A mente
Erra
Matéria flébil
Volúpia
Alada
O sonho conduz
Teu ser na
Brisa
Ao porto além
Do sonhador que
Vaga
Manoel Olavo
A mente
Erra
Matéria flébil
Volúpia
Alada
O sonho conduz
Teu ser na
Brisa
Ao porto além
Do sonhador que
Vaga
Manoel Olavo
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