10 de novembro de 2011

AMOR, TUA IMAGEM VEM



Amor, tua imagem vem
E presta se revela
Eu te distingo, enfim,
Em corpo, voz, semblante:
A carnadura rija
O olho que interroga
O cenho levantado
A mão pequena
O dedo inquieto, o lábio
O som da bota, o riso
Alto, a mágoa oculta
O eco em meus ouvidos

Amor, tua imagem vem
Na voz antes sonhada
Distingo o cão fiel
Dos dias tristes, flor
Na árvore, maçã
Cativa, a implacável
Ternura, a solidão
De lágrimas no espelho
Amor, estou feliz
Porque és imaginada
E, concebida, amo-te
Ainda mais e sempre

Contudo, sei que vens
Na hora combinada
No mais belo dos dias
Amor, sei que virás
Estrela branca, tátil,
Única, revelada
Opala que me vê
Onde nada se move
Chama na noite, onda
D´água desintegrando
A terra, aurora azul,
Chuva alagando a seca

Amor, tua imagem vem
Aglutina meus cacos
E se desfaz aos poucos
Eu te distingo enfim
Em corpo, voz, semblante
Eu te descubro, amor,
Em mim - és minha falta
Meu atol, minha amante
Minha fenda, meu traço
...........................
Amor, tua voz carrega
Um som de eternidade

Manoel Olavo

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