25 de dezembro de 2010

AMOR, TUA VOZ CARREGA



Amor, tua imagem vem
E presta se revela
Eu te distingo, enfim,
Em corpo, voz, semblante:
A carnadura rija
O olho que interroga
O cenho levantado
A mão pequena
O dedo inquieto, o lábio
O som da bota, o riso
Alto, o rio, a mágoa
O eco em meus ouvidos

Amor, tua imagem vem
Na voz antes sonhada
Distingo o cão fiel
Dos dias tristes, flor
Na árvore, maçã
Cativa, a implacável
Ternura, a solidão
De lágrimas e espelho
Amor, estou feliz
Porque és imaginada
E, concebida, amo-te
Ainda mais e sempre

Contudo, sei que vens
Na hora combinada
No mais belo dos dias
Amor, sei que virás
Estrela branca, tátil,
Única, revelada
Opala que me vê
Onde nada se move
Chama na noite, onda
D´água desintegrando
A terra, aurora azul,
Chuva que alaga a seca

Amor, tua imagem vem
E se desfaz aos poucos
Eu te distingo enfim
Em corpo, voz, semblante
Eu te descubro, amor,
Em mim - és minha falta
Meu atol, minha amante
Minha fenda, meu traço
Amor, tua voz carrega
Um som de eternidade

Manoel Olavo

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